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sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Cinderela e os sapatos de cristal



A primeira versão francesa do popular conto de fadas, os sapatos  da Gata Borralheira eram  pantoufles em vair  - sapatos em pele de arminho branco .

No século XIV,  a palavra vair ficou fora de moda e o autor francês Charles Perrault (1628-1703) que reescreveu a história em 1697 e não conhecia o vocabulário, confundiu a palavra com verre, vidro.
Como a versão ocidental da história deriva do conto de Perrault. o sapatinho de cristal continuou a ser utilizado nas versões seguintes.
A história da Cinderela tem raízes em contos tradicionais  cuja origem é obscura;
 nas versões que existem em número superior a 300 o sapatinho aparece invariavelmente feito de algum material raro ou dispendioso - ouro ou prata, incrustrados com jóias ou pérolas

Conto popular conhecido em todo o mundo tem a sua versão mais antiga escrita em chinês e datada do século lX
... quem diria!!


sábado, 23 de dezembro de 2017

O Pai Natal da dispensa

O Pai Natal está de costas viradas para a janela.
Usa óculos de aros redondos, vê mal, coitado, sobretudo agora pelo Natal.

O mundo fica tão escuro aqui, os dias curtos, as noites tão longas.
Com a vista assim, cansada, quase fria como o olhar de uma ave perdida no meio do Inverno, pouco ou  quase nada se pode esperar dele.

Olha para mim e não me vê. Estou sentado diante   dele, quieto atento à  sua imobilidade ancestral
Ele é a única presença que ilumina esta sala cheia de livros.
As suas barbas imensas caídas sobre o velho casaco, dão-lhe um ar de ancião triste e desolado.

Há anos que trás às costas um saco cheio de prendas.

Habitava  a casa na outra vida que tive . Os meninos eram pequenos  corriam para os seus braços tensos com a alegria que só a inocência proporciona.

Tirei ontem o Pai Natal da despensa .
Esteve lá escondido todo o ano à espera de Dezembro.
Apanhou-me desprevenido, o tempo correu tão depressa!
Ainda há dias eu era da idade dos meus filhos quando eram pequenos.
De repente a casa não é a mesma, eu sou a minha família pelo Natal.

Os amigos espalham cartazes pelo Facebook.
O tempo e o silêncio esmagam a memória das coisas, deixam cair por terra as suas vozes.
O olhar sem vida do Pai Natal cruza a sala.

Não sei como atravessar esse lago aberto na escuridão, essa fenda entre mim, e o vazio.


Eduardo Bettencourt Pinto


segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

História antiga

Era uma vez, lá na Judeia, um rei
Feio bicho, de resto:
uma cara de burro sem cabresto
e duas grandes tranças.
A gente olhava, reparava, e via
que naquela figura não havia
olhos de quem gosta de crianças

E, na verdade, assim acontecia.
Porque um dia,
o malvado,
só por ter o poder de quem é rei
por não ter coração,
sem mais nem menos
mandou matar quantos eram pequenos
nas cidades e aldeias da nação.

Mas,
por acaso ou milagre, aconteceu
que, num burrinho, pela areia fora,
fugiu
daquelas mãos de sangue um pequenino
que o vivo sol da vida acarinhou:
e bastou
esse palmo de sonho
para encher este Mundo de alegria:
para crescer, ser Deus:
e meter nos infernos o tal das tranças,
só porque ele não gostava de crianças.

Miguel Torga
1907-1995
Escritor português com mais de cinquenta obras publicadas

sábado, 16 de dezembro de 2017

O milagre das Rosas

Era uma tarde
 De vento agreste e de inclementes chuvas.
À porta do palácio, a multidão
De aleijadinhos, orfãos e viúvas,
Mal coberta de andrajos, a tremer,
Pedia pão...

«Que havia de, entretanto acontecer?
Vinha Isabel com uma abada de ouro,
Um deslumbrante e autêntico tesouro,
E ia já dá-lo aos pobrezinhos, quando
 El-Rei lhe tolhe o passo...
- Que trazeis vós senhora  no regaço? -
Pergunta D. Dinis. Ela corando,
responde-lhe - São rosas meu senhor...
- Rosas no Inverno ? Não será engano? ...
- É que estas rosas são de todo o ano -
Diz a raínha então
- São rosas de piedade e de perdão ,
Rosas de luz
Rosas de amor,
Duma roseira que plantou Jesus ...-
E desdobrando o seu brial de seda,
mostrou-lhas a sorrir ...

Cada moeda
Se transformara por milagre em flor ...
E frescas, orvalhadas e viçosas,
aos pés de el-rei cai um montão de rosas...

Pelo ar derramou-se um tal aroma
Tão doce e tão fragrante,
Como se alguém tivera nesse instante
Quebrado uma redoma
de bálsamos celestes...

Cândido Guerreiro  (século XIX XX )
Escritor português nascido em 1871 em Alte no Algarve e faleceu em 1953

Imagem da Raínha Santa- Capela Nossa Senhora dos Anjos Dos Padres Franciscanos
Rua dos Bragas -Cedofeita Porto

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Os cães velam por mim



Não sai medo da boca dos cães, nem fúria
nem ponta de rancor.
Somente um uivo, um estertor.
Pediam tão pouco; um osso, um resto de carne,
um fingimento de ternura, e nada tiveram,
e nada conquistaram.

Somente o desprezo e a fome,
e a vizinhança ardente de morte, numa berma da estrada,
enquanto seguiam o rasto dos cegos
demandando a promessa de luz das catedrais.

Os cães não sabem nem querem vingar-se
Depressa trocam os sinais de cólera
 pela promessa de um afago
e depois rebolam-se na erva como se voltassem
à infância amamentada na sombra dos quintais.

Eu amo os cães e também os gatos,
e só dos homens desconfio e me defendo
por serem os únicos que sonham, olhando o céu
sem nunca deixarem de enterrar no lodo
as raízes mais mesquinhas da ilusão
de poderem ser deuses.

Vêm os cães e põem em em fuga os vultos arqueados
dos que cercam a casa. Sem dó.
Não se pode morder nem matar o que é imaterial.
Os cães, mesmo os de pedra, velam por mim
enquanto eu invento os nomes que hei-de dar
aos temores que me invadem a escrita.

José Jorge Letria
Prosa
(Coração sem abrigo)





quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Árvore de Natal


Uma das primeiras pessoas a ter em casa no Natal, uma árvore iluminada com velas foi o reformador protestante Martinho Lutero, pelo ano de 1500...!
E provavelmente como função principal a de encher  a casa de luz.

Mas o culto da árvore tem raízes muito mais profundas na história alemã.
 (Para os alemães, independentemente da religiosidade de cada um, a árvore de Natal é um símbolo de paz, tranqüilidade e introspecção.)
 No paganismo  as árvores eram consideradas simbolos da fertilidade, pois as suas folhas rebentavam, após o Inverno, facto provávelmente, em função da qual a árvore se converteu num símbolo da celebração do nascimento de Cristo.


E possívelmente  a  escolha recaiu sobre o abeto e o pinheiro, porque estas árvore se encontram sempre verdes e devido também à sua forma que lembram os  campanários.
... E assim chegamos aos nossos dias, e a árvore de Natal descartado o abeto e para bem do pinheirinho, se pode adquirir em qualquer loja, de matéria plástica e  dura uma vida inteira..☺ ㋡

* No entanto ainda se pode ver por aí e passada a época natalícia,  pequenas arvores (pinherinhos) em formação,  no lixo...!
E porque é Natal
Ouçam o grito...E FELIZ NATAL...!

.. ❀*•.¸¸♥





terça-feira, 5 de dezembro de 2017

A culpa do azevinho

O azevinho, a planta sagrada dos Druídas, era suspenso no exterior das casas dos Vikings como um sinal de paz e de boas-vindas aos estrangeiros. Há um  hábito criado pelos Druídas de as pessoas se beijarem debaixo do azevinho selando um compromisso, mas parece estar confinado ao mundo da língua inglesa, já que não se encontram vestígios dele noutros países

Para os primeiros cristãos, segundo os quais Cristo fora crucificado numa cruz de madeira de azevinho, o peso da culpa fizera murchar a planta que não sendo utilizada na decoração das igrejas se manteve contudo, como o emblema por excelência da época natalícia.

Segundo historiadores  o azevinho também está  ligado à história cristã, por ter auxiliado a esconder Jesus Cristo dos Soldados de Herodes.E que a título de reconhecimento, lhe terá dado a vantagem de conservar as folhas verdes por muito tempo, mesmo durante os meses frios de Inverno. As folhas espinhosas e os bagos vermelho-sangue servem para incutir nos cristãos a memória de que Cristo nasceu para ser coroado de espinhos e derramar o seu sangue para livrar  os Homens do pecado.


Actualmente, o azevinho é mais planta decorativa que sagrada, mas a sua presença  na época natalícia mantém-se , sendo considerada, um símbolo de proteção

O azevinho é também alimento de aves que em época de escassêz alimentar comem as suas bagas, e pelo que me foi dado obeservar nem precisam de amadurecer, para serem consumidas.
* É protegido por lei, desde 1989 em todo o território do continente português , que proíbe o arranque, e o corte total ou parcial, o transporte e a venda de azevinho espontâneo

Fotos : Quinta de Covelo e Arca d'Agua- Porto