Google+ Followers

sábado, 22 de julho de 2017

Rememoração

Casa

Permanece presente como um reino
E atravessa meus sonhos como um rio

Sophia de Mello Breyner Andresen
Fotografias : Casa Andresen


sexta-feira, 21 de julho de 2017

Horas vazias

Cada dia é mais evidente que partimos
Sem nenhum possível regresso no que fomos,
Cada dia as horas se despem mais do alimento
Não há saudades, nem terror que baste

Sophia de Mello Breyner Andresen

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Elementos


De todos os cantos do mundo
Amo com um amor mais forte e mais profundo
Aquela praia extasiada e nua
Onde me uni ao mar ao vento e à lua.


Sophia de Mello Breyner Andresen


quarta-feira, 19 de julho de 2017

Prince Charmant ...


No lânguido amanhecer das amorosas
Tardes que morrem voluptuosamente
Procurei-O no meio de toda a gente .
Procurei-O em horas silenciosas!

Ó noites da minh'alma tenebrosas!
Boca sangrando beijos, flor que sente ...
Olhos postos num sonho, humildemente ...
Mãos cheias de violetas e de rosas...

E nunca O encontrei... Prince Charmant...
Como audaz cavaleiro em velhas lendas
Virá, talvez nas névoas da manhã!

Em toda a nossa vida anda a quimera
Tecendo em frágeis dedos frágeis rendas...
- Nunca se encontra Aquele que se espera !...

Florbela Espanca
Florbela de Alma Conceição Espanca, nasceu  em Vila Viçosa em 1894 e faleceu em Matosinhos em 1930
Mulher bem portuguesa, com suas virtudes e defeitos poetisa artista de soneto Florbela foi sobretudo uma alma aberta e sincera. uma sombra errante consciente dos próprios defeitos e ser capaz de os confessar publicamente.

terça-feira, 18 de julho de 2017

Conto de fadas

Eu trago-te nas mãos o esquecimento
Das horas más que tens vivido  Amor!
E para as tuas chagas o unguento
Com que sarei a minha própria dor.

Os meus gestos são ondas de Sorrento...
Trago no nome as letras de uma flor...
Foi dos meus olhos garços que um pintor
Tirou a luz para pintar o vento...

Dou-te o que tenho, o astro que dormita,
O manto dos crepúsculos da tarde
O sol que é  de oiro, a onda que palpita.

Dou-te, comigo, o mundo que Deus fez!
- Eu sou Aquela de quem tens saudade,
A princesa do conto : «Era uma vez...»

Florbela Espanca

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Mar sonoro

Mar sonoro, mar sem fundo, mar sem fim.
A tua beleza aumenta quando estamos sós
E tão fundo intimamente a tua voz
Segue o mais secreto bailar do meu sonho
Que momentos há  em que eu suponho
Seres um milagre criado só para mim.

Sophia de Mello Breyner Andresen
Imagem: Praia Homem do Leme - Foz do Douro
Porto