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terça-feira, 1 de dezembro de 2015

O coelho e o leão





O leão e o coelho, eram amigos  íntimos. O coelho tinha um filho nascido no fim do mês e que se chamava Carancoa. Uma noite uma goma caiu na ratoeira e o coelho que passou perto da armadilha (aumbuna) ouviu a goma dizer:
- Que mal fiz eu a Deus para ter aqui caído, presa?
Eu não fiz mal a ninguém!
Diz-lhe o coelho, lembrando-se do seu filho pequeno;
- Se eu tirar a você daí, o quê que você me dá? Quanto dinheiro?
Tudo o que você quiser - disse- a goma. E você sabe quem é que fez esta aumbuna?
O coelho não sabia que o buraco tinha sido feito pelo seu amigo leão, e foi buscar um pau, com que ajudou a goma a sair do buraco.
O leão, que estava ali perto a espreitar, disse:
- O meu amigo coelho é malandro. Está-me a tirar a carne para o jantar. Espera que já vais ver.!
Agarra num tambor de batuque e começa a chamar toda a gente do prazo, a quem disse que tinha um milando. A gente não fez caso dizenndo que não podia demorar-se pois tinha os seus serviços.
O leão toca outra vez o tambor para chamar toda a bicharia do prazo. Juntou-se tudo e cada espécie formava um grupo. O leão falou:
- Caiu carne numa ratoeira que eu tinha arranjado, e houve alguém que ma foi roubar. Eu vou perguntar a cada um quem fez o roubo, e ao seu autor agarrarei pelo rabo e, depois de lhe fazerdar  duas voltas no ar, cairá no chão, ficando morto. Eu já adivinhei quem é o ladrão..
Quando ouviu isto o coelho pensou:
- Se ele me quiser agarrar pelo rabo, meto-me num buraco que abri naquele imbondeiro e ficarei ao abrigo.
E assim foi.
Quando o leão se vai a aproximar do coelho, para o agarrar pelo rabo, ele foge; o leão vai atrás do coelho que se mete no buraco da árvore.
O leão mete a cabeça, e fica com ela entalada. Então diz o coelho:
- Então agora, ficas aí!?! Queres que eu te ajude? Hás-de dar-me a coisa mais preciosa que tiveres, para eu dar a minha mulher.
-Não, isso não dou!- lhe respondeu o leão.
- Então morre aí, diz o coelho.
E assim sucedeu. O coelho ficou sem rabo, mas o leão, morreu entalado no baobabe.


PEDRO A. DE SOUSA E SILVA ( Literatura africana de J. Osório de Oliveira)

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