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sábado, 20 de agosto de 2016

Canção da velhice


Corri o mundo
Aprendi o sabor dos desenganos ...
Só então compreendi, o quanto valem os anos

Fui semeando ilusões da vida pelo caminho ;
quando voltei a colhê-las, achei-me pobre e sózinho

Fêz o tempo na minh'alma uma nova sementeira :
semeou a experiência com mão segura e certeira.

Dizem que os livros encerram muita luz muita lição ;
mas nenhuma como aquela, que só os anos nos dão.!

A vida é um livro aberto, que toda a gente anda a ler ;
Até a morte chegar sempre há muito que aprender.

A mocidade soletra, os homens lêem melhor.
Os velhos esses já quase sabem o livro de cor.

Andei muito pela vida ...
Agora vou descansar à beira deste caminho,
a ver os outros passar .

E a mocidade iludida,
a correr, passa por mim...
Se eu te dissesse o que sei, já não corrias assim!
                                        ✿❤❤❀
Armando César Côrtes-Rodrigues
(Vila Franca do Campo, 28 de Fevereiro de 1891
Foi um escritor, poeta, dramaturgo, cronista e etnólogo açoriano que se distinguiu pelos seus estudos de etnografia e em particular pela publicação de um Cancioneiro Geral dos Açores e de um Adagiário Popular Açoriano, obras de grande rigor e grande qualidade

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