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quinta-feira, 27 de abril de 2017

Do Livro do Desassossego

A minha imagem, tal qual eu a via nos espelhos, anda sempre ao colo da minha alma. 
Eu não podia ser senão curvo e débil como sou, mesmo nos meus pensamentos. 
Tudo em mim é de um príncipe de cromo colado no album velho de uma criancinha que morreu sempre há muito tempo. 
Amar-me é ter pena de mim.
 Um dia, lá para o fim do futuro, alguém escreverá sobre mim um poema, e talvez só então eu comece a reinar no meu Reino.

Deus é o existirmos, e isto não ser tudo...

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 É impossível não sentir uma certa emoção com a leitura da opinião que Pessoa tem de si mesmo.
Vezes sem conta  li este capítulo  o nº 22 do Livro do Desassossego ...Em mim há um misto de emoções......Pensar que para lá  do futuro e como ele vaticinou, mas mal imaginaria a dimensão, o "seu Reino" quase um século depois, é conhecido e admirado em todos os cantos do mundo!

Verdadeiramente, um ser humano  extraordinário!...

     

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