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quinta-feira, 20 de abril de 2017

Dona Inês de Castro

Dos ricos paços de Coimbra
Nobre infante se partia,
Com seus pajens e criados
Para real montaria;
Vai em ginete formoso,
Que encantava quem o via;
Leva seu açor em punho
Falcoeiro a quem cumpria.
Da mui bela Dona Inês
Com amor se despedia

Mal sabia seu esposo
Que nunca mais a veria!
Embuçado no seu manto
O belo rosto cobria
Para não verem o pranto
Que dos seus olhos corria.
No seu ginete alazão,
Ó que saudoso que ia!

- Onde vais, senhor infante?
Mal haja tal montaria !
Mau fado senhor Dom Pedro
Te traz essa romaria;
Volta depressa a teus paços
 Que matam tua alegria.

Mas em vão! Que seu fadário
Destinado assim o havia!
Ficou sozinha a esposa
Tão exposta a tirania.
A sua voz maviosa
Toda a noite se ouvia,
Cantando suas saudades
Com mui triste melodia.
No bandolim abraçada
Ó que tão doce tangia !
Seu cantar mui lastimoso
Neste sentido dizia:

« meu Infante meu senhor,
Que me deste a régia mão,
Escuta, de onde estás,
Da tua Inês a  canção.
Já não podem meus suspiros
Chegar ao teu coração;
Repitam montes e vales
Da tua Inês a canção.

Os meus olhos tão quebrados
Sangue choram, que al não!
Sabem de cor estes vales,
Da tua Inês a canção.

Teófilo Braga (sécs XlX -XX)
Romanceiro Geral Português

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